Fernando Bezerra Coelho pode ir para o Democratas e lançar filho como candidato a Governador de Pernambuco em 2018


O centro de poder no estado se deslocou – na roda gigante da política – para Petrolina, no Sertão do São Francisco, reduto eleitoral do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB). Embora ele tenha sugerido mudanças na direção estadual da sigla, na sexta-feira passada, o governador Paulo Câmara, o prefeito Geraldo Julio e Sileno Guedes, presidente da PSB no estado, têm evitado confrontos com o senador. Motivos para manter cautela não faltam.


Além de defender uma mudança no PSB estadual, Bezerra Coelho se articula para levar o vice-governador de São Paulo, Márcio França, ao comando nacional do partido - um desconforto para os socialistas pernambucanos - mas o momento para eles têm sido de engolir seco. O senador conseguiu ajudar a eleger Miguel Coelho como prefeito de Petrolina, assumiu a liderança da bancada do Senado, emplacou o filho como ministro e sua influência tem se estendido para outros municípios, com apoio de deputados federais e estaduais, alguns deles insatisfeitos com o tratamento que recebem do governo Paulo Câmara. 

O parlamentar tem ainda articulado, nos bastidores, uma frente para 2018 caso ele realmente saia do PSB - movimento que preocupa o governador. A aliança envolve a formação de uma chapa majoritária encabeçada pelo seu filho, o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho. A chapa poderia receber o apoio do DEM, do PSDB e até mesmo do PTB. Mendonça Filho (DEM) seria candidato a vice, Bruno Araújo (PSDB) e Armando Monteiro (PTB), postulantes ao Senado - o que Armando nega de forma veemente. Bruno também pode ser o vice e Mendonça concorrer ao Senado ao lado de Armando. Os quatro estão afinados e debatendo projetos. 

Bezerra Coelho tem se mostrado como articulador político nesse momento de crise e bater de frente com ele sem vislumbrar a consolidação do cenário nacional é um risco. O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), que preside a Câmara dos Deputados e presidia interinamente o Brasil enquanto Michel Temer (PMDB) estava na Argentina, deslocou-se de Brasília na última sexta-feira para prestigiar o casamento do filho do senador, Miguel Coelho. 

Pequenos gestos

Além da influência visível do parlamentar, pequenos gestos também chamaram a atenção na festa. Na recepção do casamento de Miguel Coelho, em dado momento, Paulo Câmara, Geraldo Julio, Sileno Guedes e o filho de Eduardo Campos, João Campos, ficaram ao redor do Bezerra Coelho, que estava no centro. Todos procuravam se mostrar descontraídos, como se nada tivesse acontecido ao longo da semana passada. Conversaram, sorriram e não botaram na mesa temas espinhosos como a sucessão de Sileno Guedes ou a corrente dissidente do PSB nacional. 

Fernando Bezerra disse a Sileno Guedes, por sua vez, que defendia um PSB forte e não falou sobre os convites que tem recebido para mudar de legenda – fato que se estende para ele e para seu grupo político no estado. Rodrigo Maia, por sua vez, conversou bastante com o governador Paulo Câmara, mas dedicou parte do seu tempo a Bezerra Coelho e outros dissidentes do PSB que estavam na celebração e vieram de outros estados. 

Veterano na política, Bezerra Coelho, na prática, tem trabalhado em frentes para ampliar o poder político, seja num cenário A ou B. O desafio de Paulo Câmara é mantê-lo no PSB ou enfraquecer sua influência caso ele realmente se desfilie da legenda. Alguns aliados dizem não haver caminho de volta, porque ele passou quase três anos sem ser prestigiado por Paulo Câmara e não está mais disposto a ficar como personagem secundário, apoiando o governo sem participar. Outros afirmam que nada é impossível. Na roda gigante, ora se está em cima, ora em baixo.

Por Aline Moura/Diario de Pernambuco, Foto: FBC/Divulgação
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